sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Governador de Mato Grosso do Sul diz que aceita rediscutir mudança de nome do Estado


MidiamaxNews
Jeozadaque Garcia
 
O Governador André Puccinelli (PMDB) disse hoje ao portal viamorena.com.br que aceita rediscutir a mudança de nome do Estado. Ele disse que vai colocar o assunto em discussão e pede sugestões sobre critérios de ouvir a população, aceitando até mesmo a ideia de um plebiscito.

“[Um plebiscito] Pode ser um dos métodos. Pode apresentar liminarmente uma ideia melhor que essa. Na época foi pesquisado e surgiram os ícones que não queriam a mudança do tradicional. Vamos discutir. Dêem sugestões”, disse André.

A mudança do nome de Mato Grosso do Sul voltou à pauta depois de uma gafe da Rede Globo, em um diálogo da novela “Insensato Coração” entre as personagens Luciana (Fernanda Machado) e Pedro (Eriberto Leão) que deu a entender que a cidade sul-mato-grossense de Bonito, a mais importante riqueza turística da região, ficaria no Mato Grosso.

Não é a primeira vez que o autor Gilberto Braga troca as bolas com MT e MS. Em 2004, durante a novela Celebridade, a personagem de Malu Mader também iria para “Bonito, Mato Grosso”.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Em festa no ABC, Lula diz que não vaiabandonar política

Paulo Xavier



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou seu primeiro discurso desde que deixou o cargo para pedir apoio à sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff. Em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, cidade que foi palco das greves que liderou no fim dos anos 1970 e 1980 e onde se tornou um dos maiores líderes sindicais do País, Lula avisou na noite de ontem, dia 1º, que continuará na política, apesar de ter deixado a Presidência. 

"Quero pedir a vocês que amem Dilma como vocês me amaram", afirmou Lula, no palco montado na Avenida Francisco Prestes Maia, em frente ao edifício onde morou antes de se tornar presidente. "Peço a vocês que, com o mesmo carinho com que vocês me apoiaram, apoiem Dilma. Os inimigos são os mesmos, e os preconceitos são maiores."
Muito emocionado, Lula disse que as últimas duas semanas foram de muitas despedidas em Brasília. "Não estou sequer com condições de falar. Foi uma semana muito comprida, de muita choradeira, emoções e lágrimas", afirmou o ex-presidente, que discursou por 11 minutos. "Desde a última quarta-feira, tenho me despedido de muitos companheiros em Brasília e é choradeira de manhã, de tarde e de noite", brincou. De fato, Lula chorou muito durante o voo entre Brasília e São Paulo, de acordo com o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, o principal organizador da cerimônia, que também contou com a presença do deputado federal Jose Genoino e de Paulo Okamotto, presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e amigo de Lula. 

"Tenham certeza de uma coisa: o fato de eu te deixado a Presidência não quer dizer que eu deixei a política. Tenho muita coisa para fazer pelo País e pelo mundo afora", afirmou. Lula disse que quer levar as boas experiências do Brasil a outros países da África e da América Latina, mas avisou que vai continuar no País e que estará sempre à disposição para apoiar Dilma se ela quiser "convocá-lo".
Cansado, Lula disse que ele e a ex-primeira-dama Marisa Leticia vão precisar de pelo menos 20 dias de férias para "colocar a cabeça no lugar". "Volto para casa com a cabeça erguida e a sensação do dever cumprido", afirmou. Em tom de brincadeira, pediu água aos organizadores do evento ao longo de seu discurso e reclamou da rapidez com que perdeu os privilégios de um presidente. "Quando eu era presidente, nunca precisei pedir água porque sempre tinha um copinho para mim. Agora eu já tenho que pedir", afirmou, sob risos da plateia de cerca de 2 mil pessoas, de acordo com estimativa da Guarda Civil da cidade.

A festa estava prevista para as 20h, mas Lula chegou a São Bernardo do Campo somente às 22h40 - antes, visitou o ex-vice-presidente José Alencar no hospital Sírio-Libanês. 

Ele entrou em seu prédio às 23h30, com direito à queima de fogos de artifício, tema da vitória de Ayrton Senna e muita confusão das pessoas que queriam se aproximar do ex-presidente. 

Ele estava acompanhado de sua mulher, Marisa Letícia, e do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) que, quando anunciado, recebeu um misto de poucos aplausos e muitas vaias, mas nem assim foi dissuadido da ideia de discursar. 

"Vocês só veem ex-presidente falando mal de ex-presidente. Eu vim aqui para falar bem de um ex-presidente. 

O que me trouxe aqui foram amizade e reconhecimento", afirmou Sarney, para então ganhar a plateia e receber aplausos. Marinho também fez um discurso breve.

"Foi o melhor presidente que este País já teve", disse, ao entregar a chave da cidade a Lula. 

Lula recebeu homenagens da Orquestra de Violas Caipiras de São Bernardo do Campo, que tocou a música "Como é grande o meu amor por você", de Roberto Carlos. Sergio Reis cantou "Menino da porteira" para o ex-presidente, que dançou a música com Marisa Leticia. Também foi homenageado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Ao longo da noite, também foram executados os slogans das campanhas de Lula à Presidência de 1989 - Lula-lá, brilha uma estrela - e 2006 - São milhões de lulas povoando este País.

sábado, 1 de janeiro de 2011

PT pode realizar o sonho do PSDB: 20 anos de poder

No curso do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), Sérgio Motta (foto), ministro das Comunicações, fez uma profecia.

Inebriado com o êxito do Plano Real, Sérgio Motta previu que o PSDB ficaria no poder por 20 anos.

Ao tomar posse neste sábado (1º), Dilma Rousseff converte o vaticínio de Sérgio Motta em pesadelo.

O sonho do tucanato mudou de mãos. Hoje, o maior receio da oposição é o de que o PT permaneça no poder por duas décadas.

Somando-se os dois mandatos de Lula ao primeiro ciclo de Dilma, chega-se a 12 anos de presidências petistas.

Se Dilma for bem, será difícil tirar dela a reeleição. Se for um desastre, Lula ganha discurso para voltar: a “arrumação da casa”.

Com uma ou com outro, o PT irá às urnas de 2014 com chances de reter a poltrona de presidente por mais quatro anos, até 2018.

Nessa hipótese, somará 16 anos de Planalto. E estará a um mandato da concretização do sonho que Sérgio Motta idealizara para o PSDB.

Ironicamente, o petismo serve-se de um mecanismo que o próprio Sérgio Motta ajudou a aprovar no Congresso: a reeleição.

Afora a mulher de FHC, Ruth Cardoso, poucas pessoas usufruíam da intimidade do ex-presidente tucano como Sérgio Motta.

Conhecera-o em 1975, no jornal “Movimento”. Em 1978, já era coordenador da campanha de FHC ao Senado.

Nessa época, Sérgio Motta, espaçoso e dado a crescer para as laterais, ganhou um apelido que esmagou-lhe o sobrenome. Chamavam-no Sérgio Gordo.

À frente da pasta das Comunicações passou a ser chamado de Serjão. Fazia jus ao aumentativo.

Exceto pela voz, fina como a de uma criança, tudo em Serjão parecia exagerado. A começar por seu apetite.

Tinha fome de comida e, sobretudo, de poder. Sob FHC, onde houvesse uma fresta vazia, lá estava Serjão para ocupá-la.

A certa altura, o combate à inflação estava tão bem encaminhado que parecia faltar oposição ao governo. Serjão fez as vezes de oposicionista.

Criticava o governo com gosto. Chegou a tachar o Comunidade Solidária, programa conduzido pela primeira-dama Ruth, de “masturbação sociológica”.  

Uma infecção pulmonar matou-o em abril de 1998. Desceu à cova depois de articular no Congresso a aprovação da emenda da reeleição, contra os votos do PT.

Antes de virar ministro, Serjão era uma combinação de empresário e tocador de campanhas políticas, não necessariamente nessa ordem.

A obsessão pela tese da reeleição fez com que o governo FHC ficasse com a cara de Serjão, personagem pouco afeito a pedidos de licença.

Governos assim costumam encurtar caminhos. Mas flertam com o risco de esbarrões indesejados. No caso da reeleição, o Planalto esbarrou numa gravação.

Veiculada pelo repórter Fernando Rodrigues, na Folha, a fita revelava diálogos comprometedores de obscuros deputados acreanos.

Sem saber que estavam sendo gravados, contaram ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da emenda que abriria o caminho para a reeleição de FHC.

Num dos diálogos, fez-se menção a uma “cota federal”, provida por Serjão. O noticiário provocou enorme alarido e nenhuma investigação.

Serjão foi ao esquife antes de ver o amigo reeleger-se em 1998. Cavalgando o Real, FHC prevaleceu sobre Lula, pela segunda vez, no primeiro turno.

O idílio de Serjão mudou de dono na eleição seguinte. Representado por José Serra, o PSDB foi, finalmente, batido por Lula em 2002.

No primeiro mandato, Lula manteve intactos os pilares sobre os quais FHC assentara a estabilidade da economia brasileira. Colheu frutos vistosos.

Nos dois reinados de Lula, o país conviveu com uma inflação média de 5,77% ao ano. Índice alto, mas inferior aos 9,10% da era FHC.

Lula entregou, entre 2003 e 2010, um crescimento médio do PIB de 4% ao ano. Acima da média de 2,47% obtida nos oito anos de FHC.

Ao êxito econômico, somou-se o sucesso social. Sob Lula, as despesas da União cresceram 2,9 pontos percentuais do PIB.

O grosso dos gastos –2,2 pontos percentuais do PIB— foi borrifado nos programas de transferência de renda a famílas pobres.

Na ponta do lápis, Lula chegou a 2010 aplicando nesse tipo de rubrica R$ 75 bilhões a mais do que aplicava FHC em 2002, último ano da era tucana.

Vem daí o tônico que levou à popularidade recorde de Lula, à eleição de Dilma e à conversão do vaticínio de Serjão em sonho do PT e pesadelo da oposição.

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Escrito por Josias de Souza às 06h31